tu es o sentimento preferido dos gênios. não irei te decifrar, irei te viver.
“you make my life worthwhile, it’s all about you”

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8
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1 month ago
if God hates gays why are we so cute?

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23
Posted
2 months ago
Eu comecei esse Tumblr há alguns anos para tentar descobrir e para relatar o que era e como eu vivia o amor. Tanto tempo depois é natural que eu leia meus textos e perceba que esse sentimento nem sempre me fizera feliz. Muito do que despejei aqui é banal, superficial, melancólico, egocêntrico, depressivo ou qualquer outro adjetivo que você, que um dia leu isso aqui, queira dar.
A realidade é que viver o amor sempre foi meu maior e único sonho. Maior do que qualquer coisa que eu possa querer para mim, maior do que qualquer coisa material. Em 2009 eu conheci a real força do amor. Uma força que por muito tempo me dragou para o abismo, para os recantos mais escuros e mais infantis de minha alma. Esse sentimento é grande, complexo e impossível de ser vivido e expressado em sua plenitude. O único lugar que irá viver todas as tonalidades e vibrações do amor é o seu coração.
Em um momento determinado de minha vida, que ocorreu há sete meses, eu decidi que o amor não era para mim. Um sonho infantil, mimado e que nunca iria poder se concretizar. Afastei-me de beijos, sexo e pessoas e me dediquei a juntar as migalhas que sobraram do meu peito e alma.
É evidente que eu tinha apenas 19 anos e que era muito novo para desistir de tudo, mas foram seis anos sendo bombardeado por tristezas e sufocos de alma que eu me sentia como um velho solitário. 
A razão para eu escrever isso é bem simples: nunca desista do amor. É clichê, é um texto simples e sem muita reflexão. Acontece que eu realmente quero compartilhar isso. O amor que eu vivo hoje é aquele mesmo tipo de sentimento, só que invertido. Por tantos anos eu sofri o amor, agora o que eu vivo é o amor em sua complexidade simplória.
A sensação de abarcar alguém que lhe sorri com alma, de afagar-lhe os cabelos enquanto o quarto está escuro é inexplicável. Eu não irei me demorar mais, mas saiba que esse sentimento eu só tive com você.
Rompe no céu o brilho fino da manhã De luz casta e melodia amena Clareia meu céu tempestuoso e triste Já não goteja nas vidraças de minh’alma E tão pouco sopra o vento a cortar-me a pele
No embalo sereno de seu sorriso meigo Acalma meu peito de lutar contra si Suspende meus tendões de contrair a dor Refresca meu soluço de lamentar o ontem
Não canso de apertar-me o braço Na ausência temporária dos seus  Não cabe tempo ao suspiro  Para notar os dias que passo sem você Não, não há mais medo Já não há mais fogo e só sopra a brisa As migalhas de estrelas que despencavam Em minha alma, agora repousam delicadas No seu olhar de ternura pueril
Grandioso fora o tempo em maturar Nossas almas tolas Acolhedor fora a lua de abrigar-nos em                                                                       [sua luz tão pura
O compassar de meu peito já soa histérico Quando seu perfume invade a mente E abarca meu sorriso
Para vazar essa alegria em orvalhos de brilho Custa meu peito a filtrar tanta doçura Os arco-íris que enfeitam minha boca Não ofuscam as borboletas que só querem                                                                              [teu sorriso pleno Confesso Não sei lidar com tanto sentimento Estava perdido nos espinhos, crês? E como em sonho de criança Surge-me sua luz, tão pura, tão doce Tão quente e tão terna E me acolhe com suavidade e graça
A segurança do teu sorriso me equilibra E os suspiros que agora vazam São alegres e satisfatórios
Não arco sobre a tela  Pensando em discorrer a beleza da prosa Não almejo nunca escrever Um triz da beleza desse sentimento Mas precisava deixar-lhe aqui Para que um dia eu lembre Que você fora meu mais puro amor [Meu

Eu comecei esse Tumblr há alguns anos para tentar descobrir e para relatar o que era e como eu vivia o amor. Tanto tempo depois é natural que eu leia meus textos e perceba que esse sentimento nem sempre me fizera feliz. Muito do que despejei aqui é banal, superficial, melancólico, egocêntrico, depressivo ou qualquer outro adjetivo que você, que um dia leu isso aqui, queira dar.

A realidade é que viver o amor sempre foi meu maior e único sonho. Maior do que qualquer coisa que eu possa querer para mim, maior do que qualquer coisa material. Em 2009 eu conheci a real força do amor. Uma força que por muito tempo me dragou para o abismo, para os recantos mais escuros e mais infantis de minha alma. Esse sentimento é grande, complexo e impossível de ser vivido e expressado em sua plenitude. O único lugar que irá viver todas as tonalidades e vibrações do amor é o seu coração.

Em um momento determinado de minha vida, que ocorreu há sete meses, eu decidi que o amor não era para mim. Um sonho infantil, mimado e que nunca iria poder se concretizar. Afastei-me de beijos, sexo e pessoas e me dediquei a juntar as migalhas que sobraram do meu peito e alma.

É evidente que eu tinha apenas 19 anos e que era muito novo para desistir de tudo, mas foram seis anos sendo bombardeado por tristezas e sufocos de alma que eu me sentia como um velho solitário. 

A razão para eu escrever isso é bem simples: nunca desista do amor. É clichê, é um texto simples e sem muita reflexão. Acontece que eu realmente quero compartilhar isso. O amor que eu vivo hoje é aquele mesmo tipo de sentimento, só que invertido. Por tantos anos eu sofri o amor, agora o que eu vivo é o amor em sua complexidade simplória.

A sensação de abarcar alguém que lhe sorri com alma, de afagar-lhe os cabelos enquanto o quarto está escuro é inexplicável. Eu não irei me demorar mais, mas saiba que esse sentimento eu só tive com você.

Rompe no céu o brilho fino da manhã
De luz casta e melodia amena
Clareia meu céu tempestuoso e triste
Já não goteja nas vidraças de minh’alma
E tão pouco sopra o vento a cortar-me a pele

No embalo sereno de seu sorriso meigo
Acalma meu peito de lutar contra si
Suspende meus tendões de contrair a dor
Refresca meu soluço de lamentar o ontem

Não canso de apertar-me o braço
Na ausência temporária dos seus
Não cabe tempo ao suspiro
Para notar os dias que passo sem você
Não, não há mais medo
Já não há mais fogo e só sopra a brisa
As migalhas de estrelas que despencavam
Em minha alma, agora repousam delicadas
No seu olhar de ternura pueril

Grandioso fora o tempo em maturar
Nossas almas tolas
Acolhedor fora a lua de abrigar-nos em
                                                                      [sua luz tão pura

O compassar de meu peito já soa histérico
Quando seu perfume invade a mente
E abarca meu sorriso

Para vazar essa alegria em orvalhos de brilho
Custa meu peito a filtrar tanta doçura
Os arco-íris que enfeitam minha boca
Não ofuscam as borboletas que só querem
                                                                             [teu sorriso pleno
Confesso
Não sei lidar com tanto sentimento
Estava perdido nos espinhos, crês?
E como em sonho de criança
Surge-me sua luz, tão pura, tão doce
Tão quente e tão terna
E me acolhe com suavidade e graça

A segurança do teu sorriso me equilibra
E os suspiros que agora vazam
São alegres e satisfatórios

Não arco sobre a tela
Pensando em discorrer a beleza da prosa
Não almejo nunca escrever
Um triz da beleza desse sentimento
Mas precisava deixar-lhe aqui
Para que um dia eu lembre
Que você fora meu mais puro amor

[Meu

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10
Posted
2 months ago

Shorts curtos, camiseta do Mickey, óculos e um jardim.

Eu sentava em meio as flores dos jardins da antiga casa da minha avó, vestindo apenas uma camiseta do Mickey, um shorts curto e um óculos escuro grande de minha vóva, este último tomado escondido enquanto ela assistia Jornada nas Estrelas Deep Space Nine.

Meu único objetivo na vida era encontrar o amor. Que sentimento difícil e que obsessão insana. Era minha única motivação. Filho único, até então, criado em meio aos livros e a música erudita. De uma família com muito amor e dramas tão complexos que até hoje não entendo. Eu vivia descalço.

Mas, com o tempo me ensinaram a usar os talheres e a ter regras de etiqueta. Me ensinaram literatura, poesia, geografia, história e gramática. Me moldaram para um mundo que me encantava e me matava. As vezes, queria apenas correr descalço naquele jardim tão lindo.

Queria regar as plantas, que já não existem mais, e subir a escadaria da minha casa, contando cada degrau como uma estação do ano. Me molhar com o esguicho e dançar Mary Poppins com a bengala do meu bisavô. Talvez, por isso, tenha sonhado tanto nos últimos meses com aquela casa: clássica, rica, bem mobilhada, bem arejada e que hoje é ocupada por um banco.

Talvez eu seja, hoje, ocupado por um banco. Veja bem, que crueldade do destino, o menino que sonhava com o amor, amava invertido. Amava o que era. E é tão difícil encontrar um amor. De todas as idades que já tive, de todos os eus que já fui, todos choraram por amor, todos foram engambelados pelo amor.

E agora minha avó está muito distante para me comprar um sorvete ou mergulhar minha chupeta no açúcar quando sinto dor. Vóva, você consegue me ouvir? E eu cresci, sempre sendo encarado como errado, como diferente, buscando em cada lembrança daquela velha casa um conforto para minha alma.

Vocês acham que eu gosto do que me tornei? Não. Pode ser muito bonito para quem vê: Audrey, louça, classe, etiqueta, chá, livros, poesias, ópera, moda, literatura e tantas outras coisas. Entretanto, isso tudo é um grande fardo. Fardo esse que em alguns momentos, creio eu, atrapalham a minha simplicidade e alegria em vazar pelos meus poros e incentivar o amor dos outros.

Crescer sendo subjugado, humilhado, maltratado, zombado… Tantas pétalas que podaram de mim. Tanto de minha alma que vazou em lágrimas, tanto de mim que escorreu pelo esgoto. E a cada tapa, me reinventava para tentar brilhar. E todo o dia acordo pensando em tentar conquistar alguém. E a cada verso, a cada sorriso tímido lançado ao mundo: busco apenas o amor de alguém.

Não posso negar. Sou duro, sou exigente, sou complexo e ambíguo. Sou a mistura de muitas vidas que passaram e não vivi, sou o complemento de muitos livros que já li. E nesse meio termo, de viver e querer esquecer: vesti meus sapatos, e cobri minhas vestes de Jeremy Scott e Calvin Klein. Disfarcei meus dramas em filmes da Audrey, e inspirei minhas vinganças pessoais em seriados norte-americanos.

E fui ficando assim: um pouco de saudade, um pouco de desejo, um pouco travestido de personalidades. E hoje, tento voltar a ser o que eu era. Voltar a minha raiz, entende? Mas, é tão difícil limpar a maquiagem com lágrimas… Já fui tanta coisa, que desconstruir tudo parece-me impossível.

Peno todos os dias buscando a delicadeza e a ternura, mas minh’alma é um transbordo de amarguras e saudade. A cada lágrima que escorre de meus olhos, é uma louça que me consola, é uma flor que decoro a casa ou é um livro que leio na cama de lençol de seda.

Mesmo em texto, sempre o que eu sou fica no topo, e o que me transformei fica aqui em baixo, próximo ao que escrevo, próximo ao que estou vivendo. Mas, na verdade, esse texto é um pedido de desculpas. Desculpa a mim mesmo por não saber o limite entre o que eu gosto e o que eu sou. Me perdoe a todos que já feri com minha indignação existencialista, me desculpe a todos que já me amaram e crucifiquei com desprezo. Me desculpe aos amigos que afastei tentando me proteger de algo que não me fizeram.

Na verdade, tudo que faço é guiado por fantasmas obscuros que me metem medo e me fazem ser fraco. Mal amado? Não amado. Não amo, na realidade, nada do que sou ou do que o mundo me oferece (na verdade, não compreendo o amor, nem o mundo). Quando comecei esse tumblr, meu objetivo era escrever sobre as várias interpretações e vivências que tive com o amor. Hoje lendo, percebo que meu amor é apenas uma imaginação infantil, rebocada de impressões obtidas a partir de outras pessoas/personagens alheios ao meu ser. 

Vocês compreendem? Meu amor é infantil, é inútil, cresceu comigo sustentado por desejos mesquinhos, mimados, de uma criança que veste shorts curtos e camiseta do Mickey, e se coloca no alto de uma torre de cristal com chá e gengibre enquanto espera a pessoa amada vir buscar e dedicar-lhe amor incondicional. É isso que sou. É isso que espero do amor. Que entre o BG com Moon River e alguém se jogue em meus braços.

Mudar tudo isso? Já disse. Tento há anos e não consigo. Eu sou assim, o resultado de muita tinta em uma tela, o resultado de muita lágrima e vivências desagradáveis. 

E agora? O que esperar do amor? Nada. Já não há condições de se amar o que sou. Talvez meu gato, minha louça, minha família… Porém, amigos? Um amor de verdade? Balela. Sou tão complexo em minha simploriedade que nem eu mesmo consigo gostar do que sou. Sou o famoso feio arrumadinho, em uma versão grotesca de cultura, sociedade, sentimentos e filosofia. Sou um popular travestido de cultura, um clichê transformado em sofisticado. Sou uma Lula Mae Barnes que brinca de ser Holly Golightly e não há como fugir disso.

E não há conclusão. No texto, na vida ou em meus sentimentos. O que eu posso dizer? Desculpas. Desculpa a todos que causei uma má impressão. A realidade é que nem eu mesmo vejo grandes perspectivas filosóficas/sentimentais em mim.

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19
Posted
6 months ago

Retraído, chorando ou rindo
Escolhendo existir e não viver
Escolhi errado, mas como julgar?
Perseguido, encurralado, sempre respirando
Nunca amando ou abraçando
Querido, não toque a pele
Ela é fria,
Querido, não me olhe julgando
Eu sou um poço de dor,
Sem motivo ou razão
Apenas por ser

Não me fale de sorrir,
Nem de possuir,
Tudo que existe é criado
Para me iludir
Não são sentimentos,
São todas dores de algum momento
Eu me escondo nessas feridas
E meu olhos escorrem alma, eu me sinto
Tão delicado
É mais que o suficiente, você não escolhe
A não ser que seja para
Viver ou existir,

Querido, não toque meus cabelos
São de mentiras que existe
Você poderia abraçar, mas
Seu coração não se manifestou
Nunca olhei tão de longe
E agora eu sei, que você só
Pôde dizer adeus
Porque eu ainda estava aqui
A sua espera
Nunca pensei que eu estivesse
Mas a verdade é que só
Nos despedimos do que ainda existe
E se existe é porque alguém quis

Porque eu faço isso?

Nunca existe o fim
Pois o fim é sempre o sorriso
Você segurou minha mão
E eu adormeci
Incompreendido, sem vontade
Sujo, maltratado
Vivendo uma mentira que construi
Para sustenta uma vida
E agora nada nada tem razão
Somos nada, somos sonhos
Que não se tornam reais

Nesse jogo eu perdi,
Sou um clichê de dor
Minhas partes insistem em viver
Mas nada que eu sinto é original
Já me sinto tão misturado
A essa dor
Que nada passa de… 

Escolhi a voz para falar
Mas ela não completa
Tudo é incompleto
Juro não chorar
Outra vez
Mas agora eu preciso
Entender porque sou assim
Esses pedaços separados
Olhando de baixo
Você dizendo adeus
Como se nada tivesse tocado
Sua alma

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4
Posted
7 months ago

… amanhece e ainda não terminei o trabalho da Jurema

comoeumesintonacasperquando:

Sugestão: Natalí Coelho

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3
Posted
7 months ago

fuckyeahtoonami:

thatguynamedty:

thepirateking:

johnman:

Sailor Beast Transformation Sequence

STOPPPP. I AM DEAD.

CANT… BREATHE.

(via unequestiondetemps)

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27997
Posted
7 months ago

Primeira Redação de Língua Portuguesa II – Faculdade Cásper Líbero


José Victor Ribeiro Galhardo – 2º JO B – Professor Welington Andrade – 3º Bimestre – 16/08/12

“A emocionante aventura do cavaleiro moderno em busca do refúgio divino”

            Ouvia os passos leves do maçante tempo que corria em sonhos dilacerando o belo e acordando o fim. Repousava, tranqüilo, a mente fadigada em perfume de mãe, que abarca o medo e afaga os cabelos; me livrando pouco a pouco da rotina deprimente. E dormia. Em sonhos curtos, excêntricos, quase que uma repetição da realidade, vivia o mundo real em mundo de sonhos: levantei, comi, estudei, ouvia conversas e dava risos por estar em estudos enquanto repousava em cama. Da sala de aula, não ouvira os gritos do tempo tentando desfazer as mentiras. Era preciso acordar. Mas acordar pra que? Se sentido algum existe em viver?

            Os passos da vida exigem concentração em devaneio, pois não há como existir sem esquizofrenia. Só somos quando esquecemos que somos. Pensava ao caminhar nas ruas sobre o sentido de tudo haver, que sentido teria? Agora corria contra o tempo para chegar em marca de iniciar as aulas, e para que acelerar? Se todo o tempo, se toda a cidade não passava de invenções de nós mesmo? Tudo que existe não seria apenas a tentativa de darmos sentido a nossa própria existência? Era preciso chegar em tempo de descobrir o porque, de tentar achar um sentido nisso tudo. E era assim todos os dias: despertar e correr para construções sociais, querendo achar em alma algo que confortasse a falta de lógica em tudo que existia e fazia.

            Pondo de lado as dúvidas, meu objetivo era o mesmo de todo o dia: despertar sem desejar, estudar sem questionar e matar o tempo – assim como esse me mata – para a glória poder atingir. E aturava as aulas e tentava retirar daquilo algo que pudesse levar para meu ser. E que conflitante batalha era. Presos dilacerados, lutando para respirar em tão pequena sala; não era algo comum, nem nas prisões deveria ser assim. Um espelho de anseios e sonhos, todos amargurados e incompletos, satisfeitos pelo que pensavam ser e desejosos por objetivos construídos. E eu ali, apenas esquivando de todas as incompreensões e compreensões parcamente refletidas sobre o sentido disso tudo. Acredito, ou melhor, afirmo que em momentos me permitia afogar em lama com todos aqueles. Porém, rapidamente buscava o apoio do fumo para voltar a consciência de que tudo passaria. E passava. Logo um som avisava que estava livre daquela construção social e que já estava permitido pensar em outras, sem culpar-me por não me concentrar naquela. E pela porta vazei.

            Estava mais próximo de alcançar meu objetivo. É certo que me julgam e que talvez devam achar doentio, mas não creio que assim seja. Digo, viver para perder a consciência. Não, não preciso de nada construído pelo homem para vagar em mente. Exceto o cigarro, evidente, mas dos vícios humanos esse era o mais brando.  Vai dizer que nosso vício por sentimentos, apegos, construções sociais não nos transforma mais em monstros, do que um cigarro que apenas antecipa morte? Pois é assim que penso. E corria por entre ruas, observando a falta de sentido na existência humana. Viver para amar? Para ter família? Para evoluir o espírito? Pergunto-me se tudo isso não seria apenas um delírio do ser humano, vindo lá de trás para tentar dar sentido a nossa existência. Para não acharmos que somos apenas animais que andam e falam, e vivem conectados por um campo de energia que alimenta nossa esquizofrenia. Pois é assim que penso.

            Por instintos me alimentei, e deitei ao chão assistindo a televisão. Tudo muito simples, tudo muito comum. E nessa hora me deixei levar. A pressão do construído me atingiu com força. Porque não trabalho? Mas, todas as vagas não são para a área que eu quero. Mas e a experiência? Experiência em uma coisa que tenho como tediosa? Ora, não seja tolo. Ora, não me raspe como raspa os outros, não vou dar minha alma para algo que não me agrada.

            Passaram-se oito fumos, agora estava defronte ao objetivo mais aguardado do dia. E meus olhos já tendiam a cerrar a luz. Meu corpo caia por entre as cobertas, e deslizava para a plenitude do conforto. Que deliciosa era a sensação do corpo quente indo de encontro com as cobertas geladas. E repousava a mão por debaixo do travesseiro frio. Ápice. Agora sim, iria dormir, poderia esquecer o mundo, ou quase isso. Viver a plenitude de minhas impressões colhidas e de momentos e sentimentos que confusos parece criar uma nova lógica de vida. Estou para repousar, tudo parece tranqüilo, e é assim que deve ser. Entretanto, ao fundo há som que grita, e não é vivo, apesar de ser de bicho. É o tempo, o tempo apertando meus sonhos. É hora de acordar. E como que de um solavanco levanto e sento. Olho para o espelho ali perto. Porque existimos? Já não tinha sentido, pois a vida vivia para sonhar e o sonho vivia para viver. Sem descanso, sem sentido, sem por que.

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7
Posted
9 months ago

porque eu? porque aqui?

alma:

não tem sentido existir, não tem. você pode me dizer que existimos para evoluir nossas almas, mas qual o sentido de ter almas? quando eramos primatas nós nem imaginávamos que existiam almas. os animais tem almas? mas, eles não sabem que existem, então como haveriam de ter alma? o ser humano inventou o mundo, os sentimentos, trabalho, família, amor, dinheiro, alma, deus, inferno, céu, reencarnação… inventamos tudo isso a partir do momento que descobrimos que existimos, e existir sem dar uma razão que explique isso parece meio maluco, não é? então passamos a achar que somos seres divinos, porque assim não seriamos animais, seriamos seres evoluídos e que possuem uma missão, fica muito mais fácil viver achando que somos superiores e que temos um objetivo divino a cumprir, do que se achássemos que somos apenas animais que andam sobre duas patas. se voltássemos para um pouco antes de descobrirmos o fogo e a pedra, veríamos como realmente somos, ou deveríamos ser. talvez alguma mutação genética, algo que deu errado tenha bifurcado a nossa cadeia evolutiva, e assim como o câncer - onde a célula defeituosa se multiplica até formar o tumor e matar o que é bom - espalhamos pelo mundo e geneticamente dominantes criamos a nossa espécie.

o homem:

sabemos que sabemos e isso me atormenta bastante. o que seria saber? pois até onde eu sei tudo que sabemos é o que gostaríamos de saber, sabemos apenas aquilo que precisamos para vencer. sabemos que existem bactérias, mas precisamos saber disso para viver em um modelo de sociedade tal qual a construímos. sentimos o que sentimos porque isso que chamamos de sentimentos são gritos desesperados de um instinto sufocado por um saber construído. o homem precisou moldar um mundo para saber que sabia, e nosso instinto primata não consegue se acostumar com isso: daí surgem os sentimentos. 

veja bem, os animais não sabem que são, por exemplo, Mingau, 8 anos, residente em Guaratinguetá, São Paulo, pertencente a Victor e Maria, birmanês, espécie F. silvestris, gênero Felis, família Felidae, ordem Carnívora, classe Mammalia, filo Chordata e reino Animalia. os animais não sentem nada além dos impulsos dos instintos, não sofrem de dilemas e não se preocupam com as contas do final do mês.
onde eu quero chegar: nenhum animal além do homem criou elementos além dos necessários para a sobrevivência. nós construímos a família para não nos sentirmos sozinhos, o casamento para procriar, a religião para explicar a morte e controlar as pessoas, a ciência para explicar a vida e prolongar nossa existência, as cidades para morarmos, a política para nos controlar, o dinheiro para dominarmos uns aos outros e os sentimentos para aliviar o desespero de não podermos viver de acordo com nossos instintos.

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5
Posted
9 months ago
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